Ontem, enquanto aguardava ansiosamente na recepção do laboratório para fazer a minha primeira mamografia, fiquei pensando no quanto as mulheres sofrem ao longo da vida...
Na infância, as diferenças com os meninos já são notadas. Elas brincam mais delicadamente, são mais sensíveis e não raro, brigam com a melhor amiga e ficam “de mal”.
Na adolescência, começa a ebulição dos hormônios. De uma hora para outra, são obrigadas a usar sutiã (acessório odiado por muitas!). Ao mesmo tempo sentem inveja das que não usam e fazem inveja para as que ainda não tem seios suficientes para encher um sutiã.
Nesse meio tempo, vem a menstruação. Que terror! Como assim! Sangrar sem estar machucada! Todos os meses!
Nessa fase, as meninas ficam super inseguras. Tem a impressão que o mundo inteiro sabe que ela está menstruada. Acham que o absorvente está aparecendo sob as roupas e pior que isso, que a calça está manchada!
Fazer educação física nesses dias, é algo indescritível! Ainda mais qdo existe uma platéia de meninos adolescentes observando-as...
E pra trocar o absorvente??? Como sair no meio da aula com uma necessaire na mão sem que todos percebam que ali dentro contém um absorvente!
É uma verdadeira estratégia de guerra pra esconder o bendito sem que ninguém note.
Nessas horas, é indispensável a ajuda de uma amiga que “checa” se a roupa está manchada, se o absorvente está aparecendo e sempre tem um sobrando qdo precisamos...
Tem um outro detalhe que são a TPM e as cólicas. Que dias tristes os da TPM! Nesses dias, elas choram, ficam extremamente sensíveis, brigam, se magoam, perdem a paciência com facilidade...
Daí, com a chegada da menstruação, esses sintomas dissipam-se como fogos no céu! Em compensação, vem as cólicas.
As cólicas são uma espécie de revolução no útero. Dor, espasmos, enjôo e uma sensação que a cama é o melhor lugar do mundo...
Em meio a todas essas mudanças, vem a primeira consulta ao ginecologista.
Como mostrar a intimidade mais íntima para uma pessoa desconhecida???
Como falar sobre as características do ciclo menstrual?
Como ser examinada e apalpada por uma pessoa com um jaleco branco?
Além disso, como deitar naquela cama esquisita onde temos que colocar uma perna de cada lado...
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Com o passar do tempo, isso acaba virando uma rotina na vida das mulheres.
Consultas periódicas ao ginecologista, papanicolau, exame das mamas...
Sempre há a mesma sensação ao receber a guia de exames com nomes estranhos... Ultrassom intravaginal...
O pior do exame, é receber uma camisinha na recepção do laboratório. Ela será usada no aparelho que será usado no exame... Como será esse aparelho??? Pra que a camisinha? O que farão comigo???
Essas e outras perguntas povoam o cérebro das desavisadas...
Outra hora, é uma receita que tem como prescrição, o uso de pomadas. Como usar pomada no colo do útero?
Depois de comprar a tal pomada, vem a surpresa. Pra que aquele monte de tubinhos plásticos?
Entender o mecanismo daquilo tudo, requer uma boa meia hora de leitura de bula e inspeção dos apetrechos...
Por fim, ouço a enfermeira chamando meu nome na sala de espera. Impossível não sentir frio na barriga...
Entro na sala, vejo aquela máquina estranha e fico imaginando “como” será o exame.
Ela me instrui a tirar a blusa, o sutiã e a colocar aquele avental (que a gente nunca sabe se a abertura é pra frente ou pra trás...).
Ela limpa máquina e pede pra que eu coloque o seio direito sobre uma mesa. Uma outra peça, acionada por ela, desce e comprime o seio! Ela pede pra que eu não respire e tira a radiografia.
A dor, é insuportável. Meus olhos se enchem de lágrimas e eu me seguro. O processo se repete 6 vezes. São 3 radiografias de cada seio.
Saí de lá atordoada, dolorida e com a sensação de estar com o coração pulsando nos dois seios...
Hoje, ainda estou bastante dolorida mas, tranquila por ter passado por mais essa.
Qual será a próxima etapa???
Ah! Coincidentemente, enquanto eu aguardava, lia um livro chamado “A vaca roxa”. Apesar do título ser sugestivo e ter haver com o tema, seu conteúdo é totalmente diferente do assunto. É um livro de marketing mas, achei que viria a calhar com o tema do texto... Hehehe!!
Creusa Valéria
Texto escrito em 11/12/20047
terça-feira, 28 de abril de 2009
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